Remédio

Quando uma estrela deixa de brilhar no céu, encontram-se os encantos da morte.
Simbolizando outras tantas coisas.
Acreditávamos que iríamos morrer e nos ariscávamos mais.
Morremos, nos matamos, de beijos, de lágrimas, de amores e perdas.
Estávamos mais vivos do que mortos.
Percebemos então que teríamos um recomeço, envelhecemos
Pra repensar, não será agora que morreremos?
São as inevitáveis luzes e seus reflexos.
Embora seja tudo o mesmo, as luzes sempre refletem cores diferentes.
É imperceptível ao olhar, mas essa noite o céu era lilás.
Conheci a morte
Embora nunca tivéssemos um encontro marcado.
E quantas correspondências nos havia em comum
Ora em convergência, conflito, desencontrando-se mais que encontrando-se.
A vida é cheia de surpresas, boas surpresas!
Mas as surpresas em nosso cotidiano parecem nunca se repetir.
Pode ser a flor inesperadamente recebida, a infecção indesejada descoberta, detalhes que parecem rotinas inesperadas, surpresas!
Inesperamo-as e isso é belo.
Gosto de surpresas, boas ou ruins, elas nunca são a mesma coisa.
Como também gosto da rotina, de imaginar seu sorriso, toque e o beijo.
Espero pelo dia em que estaremos juntos de novo
E pela hora em que devemos deixar as coisas partirem.
E nunca mais remediar-me com a partida.

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Paixão pelo dia e pela noite

Quantas pessoas resolvem se arriscar em pequenos momentos na vida? Quantas delas tem a coragem de assumir fatos e consequências pareadas às de um crime? Quantas delas colocam suas vidas na frente de seus problemas pelos do outro?

As cenas do seu cotidiano se assemelham às cenas de um filme, de protagonistas camaleônicos.

És um artista.

Não sabe atuar, não sabe pintar, não sabe cantar nem ao menos tocar um instrumento, escrever um poema ou desenhar. Mas nasceu para ser um artista.

Existe um desejo insaciável por uma busca incessante pelo prazer do viver.

O travestido de artista, busca holofotes, secretamente. Desvia sua atenção dos momentos de beleza, inspiradora de verdadeiros artistas, a reflexos de tempo e incerteza. Prefere sobreviver, existir à viver e sentir. Está lançado aos desmandos frágeis e efêmeros da luz de holofotes famintos – que causam cegueira aos indivíduos viventes no escuro, vulneráveis.

Ao encontrar o vrrdadeiro artista, resolvera que teria que salvar sua vida.

Da luz se lança o suposto caminhante amigo e na noite, a escuridão domina e se deixa dominar. A sua arte se faz sozinha. As oposições contínuas sempre se entrelaçam, enquanto as sombras se preenchem de sangue.

O caminhante e o travesti, juntos, planejam um suicídio lento. Perdendo partes de si, se perdem, não na escuridão, mas de obscuridade. Há vidas que não podem ser salvas se elas não quiserem. E há outras que precisam simplesmente caminhar em pratos limpos e abrir os olhos.

Era um fim anunciado. Desolados, o sexo surge como uma alternativa, finita, efêmera e sem sentido, o amigo e o travesti experimentam doses maximas de prazer. Se cansam um do outro.

Cada um segue seu caminho tortuoso e errante. Destinados às incertezas, surpresas, derrotas e sucessos.

Como o dia e a noite, separados e contínuos, a arte se faz sozinha.

A regra do jogo

A verdade mata.
Embora a mentira mate do jogo a maioria das peças,
As mais importantes e menos queridas,
Nem sempre a verdade é a regra do jogo.

Perde-se, seguidas vezes.
E você só perde.
Então você mente. A começar, para si mesmo.
Mas essas são regras do jogo
Alguém precisa perder para outro ganhar.

O mecanismo é bonito. Vende.
Mas a regra é clara.
Como peão, se você não serve mais, atrapalha o jogo.
Você é o próximo, também morre.
Te matam, sim. Porque essa é a regra do jogo.

Poucos entendem, falam bobagens.
Mentem novamente, acreditando que a mentira pode ser sua defesa.
Mas as regras do jogo já tinham definido sua sentença.
Você força uma nova mentira.
Ainda não percebeu que sempre começa mentindo a si mesmo.
E isso também te mata aos poucos.

Mente repetidamente, tentando construir sua verdade.
Na verdade, apenas aceita a derrota mais lenta.
A mentira não é a regra do jogo.
Todos perdem.
Embora enquanto peões, todos possam ganhar,

Ninguém aprendeu a jogar.

Todos perdem. Essa é a única regra que aprendi.

Quando entrei na faculdade,
Me perguntaram se eu estava aprendendo a roubar.
Deveria responder: Estou aprendendo a jogar.

E já estava jogando.

 

“Deus” ouvindo Rock’n Roll raiz

Nós não usamos as mesmas roupas
Elas são muito gloriosas para mim.
Afinal, somos diferentes.
E, distante de julgamentos,
Eu não pretendo ser como você.
É que eu só não consigo ser de uma outra maneira
Diferente do que sou agora.
Sem glórias imaginárias e etéreas – tão humanas!
Estou ouvindo Rock’n Roll ao seu lado,
Enquanto você ouve a minha raiz e se irrita.
Por quê? Não quero que goze do mesmo licor que eu bebo.
As facas estão à mesa.
Estoure a bolha!
E apenas deixe as crianças brincarem.