“Deus” ouvindo Rock’n Roll raiz

Nós não usamos as mesmas roupas
Elas são muito gloriosas para mim.
Afinal, somos diferentes.
E, distante de julgamentos,
Eu não pretendo ser como você.
É que eu só não consigo ser de uma outra maneira
Diferente do que sou agora.
Sem glórias imaginárias e etéreas – tão humanas!
Estou ouvindo Rock’n Roll ao seu lado,
Enquanto você ouve a minha raiz e se irrita.
Por quê? Não quero que goze do mesmo licor que eu bebo.
As facas estão à mesa.
Estoure a bolha!
E apenas deixe as crianças brincarem.

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Em companhia

Não é a toa que me encontre com Álvaro de Campos e Manuel Bandeira
Sem pretensões, apenas um cigarro ou um café na Tabacaria
Para celebrar intimamente a morte e a vida.

Entendimentos dualísticos, sobre início e fim, é nossa loucura.
Loucura tal, que foi necessário desenvolver uma ciência (incompleta)
Para negar, em ímpetos de esperança, as próprias certezas das ciências.

Mas eu não sou cientista.
Apenas tento escrever versos como os que antes foram escritos antes de mim.
Sem sucesso, muito menos glória ou ouro.
É engraçado – neste ponto isso já não importa.

Construímos os milagres, construímos um mundo.
E inda não entendemos nada disso – apenas nos entendemos.
Só nos encontramos nos próprios encontros.
Nos encantamos com os sorrisos,
E o que mais devemos fazer se não sorrir?
Tragamos cigarros e tomamos café.

Sintonia Quântica

Recentemente perdi uma amiga de infância. Nossas memórias e loucuras que lá ficaram, mas que valiam a pena serem vividas no presente, parecem não fazer tanto sentido quando uma memória compartilhada se resta viva em somente um de nós nessa memória presente e aparentemente materializada.

De uma nova experiência, o texto:

As expressões são quantizadas
Para gerar afinidades eletromagnetizadas
Por moedas de troca frias
Que criam empatias assincronas
E te colocam em valência
Na sua camada marginal.
Ah! O trânsito probabilístico é uma explosão!
Energia em equilíbrio.
Sorrisos ácidos, contudo,
Os mesmos sentidos básicos.
Assim o meio quer sobreviver.
Mas é falso.
E, embora nos deixem pensar que somos
Matéria de estrelas. 
Somos apenas matéria iluminescente e orgânica – efêmeras – Ópio da imaginação.

Diálogo de Chaim consigo

* O texto trata da construção de um personagem teatral, Chaim.
I
Até quando você vai conseguir dizer não,
E deixar transparecer essa máscara que não é você?
A quem você quer enganar?
Você só engana a você mesmo.
Até quando eu vou conseguir dizer não,
E deixar transparecer esse máscara que não sou eu?
A quem eu quero enganar?
Eu só engano a mim mesmo.
II
Eu não sei mais quem eu sou
Nem mesmo o que sou.
Qual o sentido da minha vida?
Que importância tenho nesse mundo?
Até quando você vai conseguir dizer não,
E deixar transparecer essa máscara que não é você?
Não basta ser só você
O mundo não vai te enxergar assim.
Cortaram a minha garganta e me deixaram no escuro
Ao som das batidas do meu coração que sangrara até congelar
E agora é uma pedra, branca, com esperança de ainda assim se salvar.
A fé é a única coisa que me resta,
Mas que também não pode me ajudar.
Estou condenado a viver este inferno!
Como eu me coloquei aqui?
III
O amor esquecera quem eu sou.
Como flashes de memória
 Vejo as faces de meus amores distantes e eternos
Que na lembrança os atém
Esquecidos, porém.
Não posso ter tudo,
Somente o nada
Ou o pouco daquilo que nunca terei.
Eu nunca sei.
E por isso, por mais ninguém esperei.
IV
Perguntas se me arrependo do que que fiz
E eu direi que sim.
Viver a solidão é viver o maior dos infernos.
E o que eu fiz pra mudar a minha vida?
Direi: nada.
Maldita lição sobre esperança
Que se perdeu em uma fábula
E perdeu todo o encantamento.
Até quando eu vou conseguir dizer não,
E deixar transparecer esse máscara que não sou eu?
A quem eu quero enganar?
Eu só engano a mim mesmo.

Alucinações no plano da realidade

Você encontra várias pessoas

mas não necessariamente encontra obras-primas nelas.

O ser humano é frágil.

Quando a gente percebe isso em nossos heróis imortais

nos damos conta de que a verdade é fajuta

e a fragmentada memória em imagens quebradas

busca colocar no papel tudo aquilo que não se sabe

buscando nos resgatar da paranoia que inventamos.

Talvez você esteja ficando louco!

As coisas que você quer são impossíveis.

Mas talvez eu também esteja.

Quando venho pra casa,

o que faço pra cuidar de você?