A regra do jogo

A verdade mata.
Embora a mentira mate do jogo a maioria das peças,
As mais importantes e menos queridas,
Nem sempre a verdade é a regra do jogo.

Perde-se, seguidas vezes.
E você só perde.
Então você mente. A começar, para si mesmo.
Mas essas são regras do jogo
Alguém precisa perder para outro ganhar.

O mecanismo é bonito. Vende.
Mas a regra é clara.
Como peão, se você não serve mais, atrapalha o jogo.
Você é o próximo, também morre.
Te matam, sim. Porque essa é a regra do jogo.

Poucos entendem, falam bobagens.
Mentem novamente, acreditando que a mentira pode ser sua defesa.
Mas as regras do jogo já tinham definido sua sentença.
Você força uma nova mentira.
Ainda não percebeu que sempre começa mentindo a si mesmo.
E isso também te mata aos poucos.

Mente repetidamente, tentando construir sua verdade.
Na verdade, apenas aceita a derrota mais lenta.
A mentira não é a regra do jogo.
Todos perdem.
Embora enquanto peões, todos possam ganhar,

Ninguém aprendeu a jogar.

Todos perdem. Essa é a única regra que aprendi.

Quando entrei na faculdade,
Me perguntaram se eu estava aprendendo a roubar.
Deveria responder: Estou aprendendo a jogar.

E já estava jogando.

 

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“Deus” ouvindo Rock’n Roll raiz

Nós não usamos as mesmas roupas
Elas são muito gloriosas para mim.
Afinal, somos diferentes.
E, distante de julgamentos,
Eu não pretendo ser como você.
É que eu só não consigo ser de uma outra maneira
Diferente do que sou agora.
Sem glórias imaginárias e etéreas – tão humanas!
Estou ouvindo Rock’n Roll ao seu lado,
Enquanto você ouve a minha raiz e se irrita.
Por quê? Não quero que goze do mesmo licor que eu bebo.
As facas estão à mesa.
Estoure a bolha!
E apenas deixe as crianças brincarem.

Em companhia

Não é a toa que me encontre com Álvaro de Campos e Manuel Bandeira
Sem pretensões, apenas um cigarro ou um café na Tabacaria
Para celebrar intimamente a morte e a vida.

Entendimentos dualísticos, sobre início e fim, é nossa loucura.
Loucura tal, que foi necessário desenvolver uma ciência (incompleta)
Para negar, em ímpetos de esperança, as próprias certezas das ciências.

Mas eu não sou cientista.
Apenas tento escrever versos como os que antes foram escritos antes de mim.
Sem sucesso, muito menos glória ou ouro.
É engraçado – neste ponto isso já não importa.

Construímos os milagres, construímos um mundo.
E inda não entendemos nada disso – apenas nos entendemos.
Só nos encontramos nos próprios encontros.
Nos encantamos com os sorrisos,
E o que mais devemos fazer se não sorrir?
Tragamos cigarros e tomamos café.

Sintonia Quântica

Recentemente perdi uma amiga de infância. Nossas memórias e loucuras que lá ficaram, mas que valiam a pena serem vividas no presente, parecem não fazer tanto sentido quando uma memória compartilhada se resta viva em somente um de nós nessa memória presente e aparentemente materializada.

De uma nova experiência, o texto:

As expressões são quantizadas
Para gerar afinidades eletromagnetizadas
Por moedas de troca frias
Que criam empatias assincronas
E te colocam em valência
Na sua camada marginal.
Ah! O trânsito probabilístico é uma explosão!
Energia em equilíbrio.
Sorrisos ácidos, contudo,
Os mesmos sentidos básicos.
Assim o meio quer sobreviver.
Mas é falso.
E, embora nos deixem pensar que somos
Matéria de estrelas. 
Somos apenas matéria iluminescente e orgânica – efêmeras – Ópio da imaginação.