E se…

Odiava quando tentavam dialogar comigo fora da realidade, argumentando no “e se… fosse de outro jeito” – Tinha comigo que o que está feito, esta feito. E outras coisas são altamente previsíveis, não permitem “e se…” “vai que..”. Nesse ponto, já fui bem exato. Entretanto, não costumo me prender aos meus pré-conceitos, a um perfil, gosto de experimentar novas revisões de mim, as vezes melhores, outras piores, o aprendizado é enorme, todos deveriam experimentar essa sensação, de certo modo, libertadora. Digo revisão, pois me esforço para o melhor sempre permanecer, é, tento ser uma pessoa melhor. E, em uma dessas tentativas, mergulhei nos meus sonhos, creio que tudo começou em 2010, estava me achando, em uma nova vida, enfim, um primeiro impulso de liberdade, amadurecimento e muitas e muitas novas experiências, que não vem ao caso. E nesse turbilhão de coisas, passei a tentar ver as coisas com o “e se…”, e percebi que se pensássemos assim, encontraríamos diversas alternativas para tudo. E se um lápis fosse outra coisa? Um prendedor de cabelo, um espetador de amiguinhos, uma arma letal, um sino. É, nem sempre um charuto era só um charuto, e milhões de possibilidades se abriam na minha frente, para as mais diversas coisas. Cada momento, o mundo, as pessoas, tudo é tão infinito, que nem percebemos a finitude dessas coisas! E isso é lindo e continua a ser! Acredito que é isso que faz brilhar nos olhos de nós jovens! E que nos fazem sentir aquela revolta por dentro… De fato, se as pessoas conseguissem olhar além das realidades ou possibilidades concretas! Mas se ao menos elas tivessem oportunidades de poder fazer isso e fazer acontecer. Só que nem sempre a vida é assim. A gente vai se moldando e o brilho jovem vai se perdendo. Não sei se é o sistema, porque até mesmo ele parece tão simples de ser modificado se quisermos. Acredito que somos nós. E os “e se…” só servem hoje para fazer previsões de cenários econômicos. Nem políticos eu digo mais. Acho que estou na crise dos 23 anos, tenho que objetivar algumas metas para sobreviver nesse mundo, algumas grandes responsabilidades que as vezes eu preferia ser abduzido por uma nave e fazer amizade com alienígenas, enfim, sou uma pessoa estranha. Porém, hoje, senti uma euforia de alegria enorme quando sentei e pensei no meu futuro da maneira mais simples dentro da minha realidade. Agradeço todos os dias às oportunidades e pessoas maravilhosas que tive em minha vida e me ajudaram a construir esse caminho mais simples que eu planejei, porém muito confortável. E essa felicidade veio do fato de eu ter descartado alguns sonhos vindos das possibilidade dos “e ses…”, de ter me posicionado de maneira mais realista o possível, deixando sobrar, é claro, o correr atrás. Senti uma euforia, uma vontade de comemorar, pois, graças às oportunidades que tive, o caminho planejado pretende ser cheio de surpresas e aventuras. Seria bom que todas as pessoas vissem nossos próprios caminhos dessa forma. Mas algo nos contamina. Talvez sejam os julgamentos que fazem das pessoas e do modo de vida de cada um. Julgar é perder tempo para amar, para se surpreender, para se libertar e viver. Ainda que pudesse estar feliz, ainda sinto um vazio revoltante, uma revolta desarmada. Abandonei os “e ses…” pra seguir o caminho de si. Há uma alegre euforia libertadora, mas que não se arrisca, e, pode não mudar nada a sua volta ou, sem querer, pode sim. É, talvez, mesmo nos caminhos mais exatos, os “e ses…” continuem. Mas que não sejam justificativas para o que esta feito.

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