Das palavras que não poderão ser ditas – breve história de um adeus.

O primeiro olhar remetia ao cheiro da laranja apodrecida que preenchia os cantos de uma cidade inteira. Uma imagem decrépita e doente, razões enevoadas pela pureza da humanidade como em suas diversas formas, e essa era uma delas, inútil, incompreendida, que faz com que meu coração, hoje, se corroa com a saudade da partida que ainda nem foi. Parte decomposta da vida em que brota o sentir despercebido de preocupações ou revisões – eramos assim e pronto – alma e coração, um punhado de história e poesia, como todos somos enquanto nossos corpos calcorrem em sua auto-putrefação sem ninguém perceber, exceto eu e você.
A vida nunca me pareceu ter maior sentido ao seu lado. Sem intenções, simplesmente aprendi a vê-la de outra forma e, sabemos, é tudo tão escuro quanto a noite sem estrelas – e continua sendo. Como dar o próximo passo sem você? É algo que eu preciso aprender. E quando for a hora de responder ao seu “vem comigo?”, será que deverei ir? Será que acontecerá?
Pouco mais de um ano, esse é o nosso tempo caminhante em velocidade constante, estivemos sempre juntos, mesmo longes, e nada de vozes ápodes, toques imaginários, desejos doces, sorrisos amarelos e nem mesmo um poema. E não falo de Ti, falo do nosso adeus. Por aqui, o que eu escrevo parece não acontecer e talvez essa seja uma tentativa de que nossa despedida não ocorra. Por que é tão difícil, meu fiel amigo?
As vezes, sinto apenas que preciso te esquecer e você a mim.
Mas não, simplesmente já não podemos mais.
E assim deverei ir, a morrer de saudades.
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