Desencantamento processual do mundo

Quantos são os domingos em que tudo para?
Nenhum.
A vida é um processo automatizado:
Quando se para, se deixa de existir.

Substituíram o busto de um dos heróis da elite
Era uma catraca.
{{Uma afronta.}}

Foram tempos difíceis aos produtores de sonhos.
Fazer sonhar junto um sonho em que não é seu – que falácia.
Agora consumimos os sonhos.
Estamos mais egoístas.
O seu sonho já não é mais suficiente.

Trinta e um anos
Ninguém parece entender
Vinte e cinco anos
Ninguém entende.

Eles não falarão mais por nós.
Eles estão em Nova York,
Em turnê internacional.
Aos beijos, no cartaz do cinema,
Foram silenciados.

Esqueceram da dignidade da pessoa humana.
Do Leviatã, deus mortal.

O cartaz dizia: “Vem pra rua!”
Era a projeção das vozes do mundo,
Um susto a quem estava adormecido.
Ao menino de 2013 chamavam anarquista.

Encontrou os amigos.
Saiu às ruas sem sentido ou opinião.
Tirou algumas fotos e as postou nas redes sociais.
Fez sucesso entre as garotas.

Economizou 20, 40, 80 centavos todos os dias.
Em um ano foram quase 300 reais.
Ele trocou seu celular.
Em 2014 tirou novas fotos,
Todos estavam às ruas de novo.
Mas também estavam no Estádio
Orgulho nacional desfalecido por 7 contra 1.

Pobre menino descontente,
Entrou em 2015 com o mesmo celular.
Foram tempos difíceis na monarquia à republicana
O rei reinava, mas não governava.
Voltou às ruas com os amigos que lhe restaram.
Tirou novas fotos e as postou nas redes sociais.

Tinha um novo aplicativo no celular – era um açougue.
Nesse marketplace, a carne parecia nobre, com conteúdo.
Aquele menino, etiquetado anarquista,
Uma peça de carne humana comprada virtualmente
Foi também comprada por outra dessas peças.
Match – já não se é o que é por inteiro
– E ele consegue uma namorada.
Nada mudou.

Dois mil e dezesseis
A cultura entrou em gourmetização,
Mas é consumida em fast-foods.
Bellum omnia omnes
Estamos separados
E assim, incompletos.

O poeta pega uma arcaica maçã,
Um refrigerante popular
E mistura tudo em um moderno liquidificador.
Em pequenos goles, sem sentido,
Encerra a sua poesia.

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