A pele e o corpo no Inverno – 18+

O conto a seguir, é uma narrativa figurada no século XIV, um período trágico na história europeia, que teve origem a partir de uma proposta de redação que um dia fiz em meu colégio. O texto tem alguns elementos repugnantes, mas a nota foi boa e a professora elogiou o trabalho me incentivando a continuar escrevendo. Será que ela só estava sendo educada? hahaha.


ATENÇÃO! O texto a seguir apresenta conteúdo repugnante, contendo sexo e abusos, impróprio para menores. Se você não atingiu ainda 18 anos, este tipo de material, apesar de se tratar de uma ficção, pode ofender você. NÃO PROSSIGA!


A pele e o corpo no Inverno

Era em pleno século XIV. O poder absoluto afrontava, em pleno gozo, a vida sofrida dos trabalhadores pobres durante o inverno frio e rigoroso. As épocas de grande estiagem eram as mais sofridas.
Dentro das casas, a luta, que outrora era o trabalho, mantinha-se pela efêmera busca pelo aquecer-se. Pais viam seus filhos morrerem por uma grave gripe, enquanto vislumbravam as luzes dos casarões; luzes amarelas e quentes, de despertarem-se os desejos. Os nossos corações perguntavam-se, por que a diferença? A revolta dava seus primeiros impulsos. O trabalho no campo, durante o inverno, era em vão. Porém, todos deveriam contribuir com suas famílias de alguma forma.
Eu era uma adolescente pobre e imunda, fadada a trabalhar e morrer como as demais. Em minha tenra idade, os espíritos do meu sexo afloravam-se pela minha pele, extravasando pelos poros do meu corpo e língua como um orgasmo.
Tive que deixar minha casa aos treze anos, fui trabalhar para uma velha e moribunda senhora, cujos poros exalavam as mais diversas doenças. Foram os primeiros dias na taverna.
Minha boceta nova e úmida era como carne em um açougue, a priori, a carne mais nobre e suculenta. Fui levada ao corte, na cama, por quem pagasse mais. Matava a fome e o frio dos homens do meu povo com meu sangue virgem, que escorria pelas pernas como em sacrifício – era como se fosse divina na Terra. Logo o trabalho tornou-se banal e constante, tudo o que eu ganhava mal dava para mim mesma, mas sempre dedicava uma parte à minha família, a qual sabia que não me veria nunca ao ver as crianças que nasciam e morriam nesse submundo em que eu habitava.
Em pouco tempo meu corpo fora se modificando, meus pelos me excitavam ainda mais, o cebo e esperma dos homens me lubrificavam e eram como pomadas para os meus machucados. Já não sentia mais nada depois de sete, oito, quinze homens na mesma noite. No frio, não havia banho, acostumei-me com aquela gosma fétida e infecciosa em minha virilha, a qual muitos se atreviam a experimentar.
Certa vez, meu pai aparecera na taverna doente e decrépito. Queria seu último suspiro em vida como animal humano e sedento por prazer. Fui escolhida. Deitei-me com ele e descobri nele os bubões da peste anunciada. Naquele momento, sabia que iria morrer. Uma brisa suave, junto a uma névoa de esquecimento e anestesia tomou conta do lugar. Estava feliz, afinal, sabia que reencontraríamos nossa família e nosso perdão, em nossa vida eterna junto a Deus.


Créditos da imagem: Melancholy – Malarstwo, de Marcin Mikołajczak, 2015, in: link

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