Da passagem dos outros

Imaginem que

Existem dois tipos de pessoas:

As programadas e as desprogramadas,

E que entramos em salas todos os dias.

Passagens de dentro pra fora

E de fora pra dentro.

Da calçada à alvenaria

– Um suspiro e o olhar focado ou o curioso vislumbre de um novo lugar.

Assim cheguei, daquele jeito fiquei.

Eu não me conhecia na alvenaria enquanto estava na calçada

E nela cheguei calçado de esperança

– era o que eu era.

Trajados de alfaiataria, passaram por mim os veteranos da alvenaria – todos programados.

A minha passagem é aquela pela qual eu escolho

Mas a diferença não é uma opção

E eles gritam, sem argumentação.

Ouvir também não é uma opção.

Abrem-se as portas, muda-se o espírito.

O que vem de dentro talvez não mude lá fora – ou demora.

“Não se deixe”, eu ouço dos ecos inconscientes que carrego comigo.

Levanto e saio – sinto que tomo meu lugar e não me arrependo.

Deixo as portas abertas e as salas estáticas.

Os outros passam por mim

E eu passo por eles – todos diferentes,

Mas poucos se reconhecem na calçada no fim do dia.

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