Sobre ter força

Esperava por um momento comigo para poder refletir sobre tudo. Algumas coisas pareciam tão difíceis e constrangedoras, por estarem tão deslocadas de mim ou eu mesmo delas. Mas o simples esforço para escrever esta poesia é transformador. Tenho conseguido ouvir músicas e fazer o que eu mais gosto. Preciso encontrar um ponto de equilíbrio, enfim, e esse ponto de equilíbrio é um pouco da força. Que é, como tudo, contraditória.

Nesta época do ano, o seu final, na minha realidade conectada à meus amigos que fazem seus votos de final de ano e sua própria retrospectiva do ano que passou, coisas próprias de nosso tempo, é difícil não fazer o mesmo, não compartilhar os momentos de felicidade do ano com quem também mais amamos (ou não, afinal a internet se dedica à vários objetivos). E nesse esforço, cheio de alegrias, é bom saber que estamos aceitando o risco, também belo, de encontrar as tristezas do caminho. E essa é uma pitada da força da coragem – e a que talvez possa trazer as mais gratas surpresas. Uma delas é ver como passamos por tantas tempestades e ainda estarmos bem (na medida do possível), como estou aqui escrevendo esse texto.

Mas o que me moveu à escrevê-lo foi perceber que a força é contraditória, por exemplo, forças em geral tensionam situações:  você pode ter a força da coragem versus a força do medo, por exemplo, e na verdade, as forças são apenas resultados das nossas escolhas.

E esse é, talvez, o mais latente e mais belo aprendizado que tive em 2018. O que poderia ser banal, se a escolha não tivesse que ser entre a força da verdade e a força da tolerante omissão para evitar o conflito da verdade desvelada. Quem sabe esta possa ser uma trama para um futuro texto? Duas posições difíceis, as quais vou poupar dos julgamentos morais, que são sempre tão relativos. Mas desta descoberta contraditória é difícil tomar posições e há algo mais misterioso em meio a estas forças que são os tempos e espaços, que definem um momento. Será que esperar o momento certo pode amenizar o resultado deste conflito de forças? O que se pode saber é que se a espera pelo momento certo for longa, ela te força a seguir o caminho da omissão, e se for muito precoce, o do caos da verdade. Ambas demandarão uma força ainda maior de si mesmo. A força da resiliência. Ah! E para a tranquilidade de quem possa estar lendo, esse conflito não é resultado de uma situação extrema – o que me permite refletir sobre.

 

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