O silêncio no mundo das vozes

Ouve-se um silêncio,
Essa onda que pesa o peito
Mais do que as vozes cotidianas,
Anunciando que há um fim de todas as coisas:
O fim do plectro é o fim da poesia,
O desencantar das musas aos que não as procuram.
O contraditório aprisionar-se ao temido tom da liberdade.
O choro ao descarrego da razão.

Ouço tudo o que sou:
Há uma silenciosa busca dentro e sobre mim.
Todos falam outras línguas ou estão tentando entender
As vozes que desmoronam os muros ao meu redor.
E apenas sinto que ainda não fui capaz de encontrar a minha paz.

É preciso ter voz.
Lembro-me do Sol
Que colidiu quando passava de uma rua para outra:
A tristeza iluminada no rosto,
As mãos estáticas ao longo do corpo, incerto, e
Os dedos a tremer, à procura de algo por onde pudessem correr.
Por vezes as vozes são ápodes.

Eu prefiro estar em silêncio
Enquanto ando sozinho sonhando com o que eu nunca serei.
Eu escolhi isso: os olhos afiados, os olhares imóveis,
Os passos pesados e a sua dureza.
Quando você está sorrindo, com rugas óbvias moldando os olhos,
Assisto às reações indiferentes do próprio mundo:
Tudo o que não se entende pelas vozes, mas pelo silêncio.

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