O Tempo é insuficiente e o perdemos

É o fim de uma jornada
Coloco-me a pensar sobre o que eu aprendi.
Maldito dom humano.
O que importa sobre o quanto aprendemos?
Pra funcionar em quê?
Eis um basta.
Certo ou errado, ninguém nunca saberá.
O tempo é insuficiente e eu o perco
Buscando encontrar razões que te façam acreditar
Nem eu mesmo sei em quê.
Maquiavel uma vez disse que a história é cíclica,
E talvez ele tenha razão.
Em alguns momentos me pego pensando:
O que somos se não, repetições?
Logo, já deveria saber o que esperar.
Você ainda precisa de uma razão em que se apoiar.
Mas circunstâncias são outras
E isso também pouco importa.
Agora, o tempo é insuficiente e o perdemos.

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Desencantamento processual do mundo

Quantos são os domingos em que tudo para?
Nenhum.
A vida é um processo automatizado:
Quando se para, se deixa de existir.

Substituíram o busto de um dos heróis da elite
Era uma catraca.
{{Uma afronta.}}

Foram tempos difíceis aos produtores de sonhos.
Fazer sonhar junto um sonho em que não é seu – que falácia.
Agora consumimos os sonhos.
Estamos mais egoístas.
O seu sonho já não é mais suficiente.

Trinta e um anos
Ninguém parece entender
Vinte e cinco anos
Ninguém entende.

Eles não falarão mais por nós.
Eles estão em Nova York,
Em turnê internacional.
Aos beijos, no cartaz do cinema,
Foram silenciados.

Esqueceram da dignidade da pessoa humana.
Do Leviatã, deus mortal.

O cartaz dizia: “Vem pra rua!”
Era a projeção das vozes do mundo,
Um susto a quem estava adormecido.
Ao menino de 2013 chamavam anarquista.

Encontrou os amigos.
Saiu às ruas sem sentido ou opinião.
Tirou algumas fotos e as postou nas redes sociais.
Fez sucesso entre as garotas.

Economizou 20, 40, 80 centavos todos os dias.
Em um ano foram quase 300 reais.
Ele trocou seu celular.
Em 2014 tirou novas fotos,
Todos estavam às ruas de novo.
Mas também estavam no Estádio
Orgulho nacional desfalecido por 7 contra 1.

Pobre menino descontente,
Entrou em 2015 com o mesmo celular.
Foram tempos difíceis na monarquia à republicana
O rei reinava, mas não governava.
Voltou às ruas com os amigos que lhe restaram.
Tirou novas fotos e as postou nas redes sociais.

Tinha um novo aplicativo no celular – era um açougue.
Nesse marketplace, a carne parecia nobre, com conteúdo.
Aquele menino, etiquetado anarquista,
Uma peça de carne humana comprada virtualmente
Foi também comprada por outra dessas peças.
Match – já não se é o que é por inteiro
– E ele consegue uma namorada.
Nada mudou.

Dois mil e dezesseis
A cultura entrou em gourmetização,
Mas é consumida em fast-foods.
Bellum omnia omnes
Estamos separados
E assim, incompletos.

O poeta pega uma arcaica maçã,
Um refrigerante popular
E mistura tudo em um moderno liquidificador.
Em pequenos goles, sem sentido,
Encerra a sua poesia.

Sometimes I wish to die

Quantas vezes eu consigo morrer
Pra apenas virar a página?
Há momentos em que somos enganados
Pelos nossos próprios eus
Confundindo nossas mentes
Quando não sabemos o que existe além do caminho.
O destino já tem todas as peças em suas posições.

Algumas vezes morri para aprender.
E novamente morri, por opção.
Quantas vezes eu consigo morrer
Pra apenas virar a página?
Mas tudo tem um propósito.
E acredito que esse propósito é positivo.
O destino já tem todas as peças em suas posições.

Morrer é a coisa mais fácil que tenho feito.
E assim vou me apagando das histórias.
Porque tudo é efêmero.
Mas as vezes morrer em ciclos é continuar.
Nós demandamos um caminho sempre contínuo.
Que bobagem!
Quantas reflexões existencialistas.
Pode ser que continuar
– seja lá o que se estiver fazendo –
Seja mais desafiador.
Prolongar o momento de morrer.
Assumir as mortes.
Não tenho uma opinião formada sobre.

FODA-SE.

Das sentenças exatas

Criamos nossas filosofias para defender o bom e o belo
Pelo motivador discurso da demagogia.
Como não vemos os nossos próprios radicalismos?
As lentes que enxergamos o mundo nos fazem donos da razão.
Como é possível entender o outro
Sem conhecer o emaranhado de teias e veias
De sentimentos e emoções em conflito nas arenas
Que existem apenas por de trás dos olhos
E não dos olhares?
Queria enxergar além da casca das coisas
Quando, porém, o que vejo são apenas interpretações.
Poesia e fingimento nunca fizeram tanto sentido,
De tanto que se faz, acaba sendo
De nobres, nos tornamos escravos
E da escravidão, humanidade.
Somos humanos numa realidade paralela e inexata ao nosso ser,
Pois, as equações são como óculos sem lentes,
E por tão puras e sem sentido,
A realidade tem que ser aumentada e
Estar em nossas mãos, pela artificialidade.
Ser humano cria a si mesmo para ser livre e interpretado.
O que somos, senão, ensaios de nossas apuradas sentenças?

Artifícios do Artificial

Apesar de achar que este blog não tenha mais espaços para meus novos textos pois não representam seu propósito inicial, sinto que esse ainda seja um lugar seguro para os meus pensamentos. Quando eu penso em Oko Haizenwögger, devo estar louco, pois é um espaço meu, criado por mim, mas materializado virtualmente por mim e concretizado em sensações na minha realidade. E chega a ser tão absurda a sua realidade que eu o considero real. Afinal, quantos pseudônimos, heterônimos, não nos confundem, na realidade, com a materialização dos próprios autores, por exemplo? Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, Ricardo Reis. A virtualidade, como assim chamamos, está mais próxima da realidade do que pensamos. Ou talvez nos prendemos a uma realidade irreal, em que mais que ações ou partes materiais, temos psique, sensações que por vezes não controlamos e que pensamos que podem ser desligadas, enquanto a matéria transformada. Mas tudo porque não sabemos. Se a filosofia é, das partes mecânicas imagéticas das ciências, a mais fluida, porque ela deveria morrer? As invenções trouxeram consigo as artificialidades, todas elas, virtuais ou materiais, programadas a determinado fim, desde a descoberta do fogo. A vida é o que está fora do artificial. Retorno ao humano. E a vida humana é o ser humano, o animal humano e sua artificialidade. A artificialidade é o que dá ao humano o aspecto de “ser” humano, pois, como ele poderia perceber-se sendo algo que ele já é? Uma nova filosofia deveria surgir da artificialidade que, como ciência, deveria estudar as construções, os monumentos do artificial, virtual, a partir de experimentações. E assim, o humano.
Escuto melodias de dois minutos e meio. Penso: “Quantas palavras posso escrever em dois minutos e meio?” Parece uma eternidade. Escrevo as primeiras coisas que vêm a minha cabeça e que dão sentido ao que estou escrevendo. Há momentos em que eu paro para pensar, e penso: “Há momentos em que paramos de pensar para pensar?” Paro, e olho o que eu escrevo. Será que isso é uma necessidade da escrita? A música caminha para o fim e eu termino antes que ela acabe.
Quantas vezes não terminamos coisas por sentir que estão no fim sem ao menos que ela termine de fato? Descartando a possibilidade de apertar o play de novo. Eu escrevi ao passo em que uma música ressoava cerca de 84 palavras. Poderia ser menos ou ser mais, e o que restou, o dado escrito, quem saberá se foi verdade ou não que ele terminou ao terminar a música? Descartamos possibilidades, pois não pensamos nelas. Escrevi coisas sem pensar, e delas surgiram coisas para pensar. Em que você consegue pensar ao escrever coisas sem pensar?
O tempo nunca me pareceu tão volátil.