Remédio

Quando uma estrela deixa de brilhar no céu, encontram-se os encantos da morte.
Simbolizando outras tantas coisas.
Acreditávamos que iríamos morrer e nos ariscávamos mais.
Morremos, nos matamos, de beijos, de lágrimas, de amores e perdas.
Estávamos mais vivos do que mortos.
Percebemos então que teríamos um recomeço, envelhecemos
Pra repensar, não será agora que morreremos?
São as inevitáveis luzes e seus reflexos.
Embora seja tudo o mesmo, as luzes sempre refletem cores diferentes.
É imperceptível ao olhar, mas essa noite o céu era lilás.
Conheci a morte
Embora nunca tivéssemos um encontro marcado.
E quantas correspondências nos havia em comum
Ora em convergência, conflito, desencontrando-se mais que encontrando-se.
A vida é cheia de surpresas, boas surpresas!
Mas as surpresas em nosso cotidiano parecem nunca se repetir.
Pode ser a flor inesperadamente recebida, a infecção indesejada descoberta, detalhes que parecem rotinas inesperadas, surpresas!
Inesperamo-as e isso é belo.
Gosto de surpresas, boas ou ruins, elas nunca são a mesma coisa.
Como também gosto da rotina, de imaginar seu sorriso, toque e o beijo.
Espero pelo dia em que estaremos juntos de novo
E pela hora em que devemos deixar as coisas partirem.
E nunca mais remediar-me com a partida.

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Desencantamento processual do mundo

Quantos são os domingos em que tudo para?
Nenhum.
A vida é um processo automatizado:
Quando se para, se deixa de existir.

Substituíram o busto de um dos heróis da elite
Era uma catraca.
{{Uma afronta.}}

Foram tempos difíceis aos produtores de sonhos.
Fazer sonhar junto um sonho em que não é seu – que falácia.
Agora consumimos os sonhos.
Estamos mais egoístas.
O seu sonho já não é mais suficiente.

Trinta e um anos
Ninguém parece entender
Vinte e cinco anos
Ninguém entende.

Eles não falarão mais por nós.
Eles estão em Nova York,
Em turnê internacional.
Aos beijos, no cartaz do cinema,
Foram silenciados.

Esqueceram da dignidade da pessoa humana.
Do Leviatã, deus mortal.

O cartaz dizia: “Vem pra rua!”
Era a projeção das vozes do mundo,
Um susto a quem estava adormecido.
Ao menino de 2013 chamavam anarquista.

Encontrou os amigos.
Saiu às ruas sem sentido ou opinião.
Tirou algumas fotos e as postou nas redes sociais.
Fez sucesso entre as garotas.

Economizou 20, 40, 80 centavos todos os dias.
Em um ano foram quase 300 reais.
Ele trocou seu celular.
Em 2014 tirou novas fotos,
Todos estavam às ruas de novo.
Mas também estavam no Estádio
Orgulho nacional desfalecido por 7 contra 1.

Pobre menino descontente,
Entrou em 2015 com o mesmo celular.
Foram tempos difíceis na monarquia à republicana
O rei reinava, mas não governava.
Voltou às ruas com os amigos que lhe restaram.
Tirou novas fotos e as postou nas redes sociais.

Tinha um novo aplicativo no celular – era um açougue.
Nesse marketplace, a carne parecia nobre, com conteúdo.
Aquele menino, etiquetado anarquista,
Uma peça de carne humana comprada virtualmente
Foi também comprada por outra dessas peças.
Match – já não se é o que é por inteiro
– E ele consegue uma namorada.
Nada mudou.

Dois mil e dezesseis
A cultura entrou em gourmetização,
Mas é consumida em fast-foods.
Bellum omnia omnes
Estamos separados
E assim, incompletos.

O poeta pega uma arcaica maçã,
Um refrigerante popular
E mistura tudo em um moderno liquidificador.
Em pequenos goles, sem sentido,
Encerra a sua poesia.

Nosso Laço

Saímos de casa para encontrar um mundo novo sem perceber

Jovens em perspectivas de responsabilidades inexatas

Expectativas dinamizadas para um futuro líquido percorrer

 

Quando de pequenos esforços fazemos crescimento

Pode-se ver o horizonte brilhando em cores diferentes

As descobertas e os sorrisos fazem a imagem em movimento

 

Enquanto os olhares se cruzam entre uma porta e outra

Vemos corpos distintos em pensamentos similares

Que descobrem uma identidade que já não é mais neutra

 

Nossa vontade se guia pelo encontro, pelo abraço

Os corações que movimentam mundos em batidas insensatas

Também transforma essa efêmera experiência em nosso laço.

Das palavras que não poderão ser ditas – breve história de um adeus.

O primeiro olhar remetia ao cheiro da laranja apodrecida que preenchia os cantos de uma cidade inteira. Uma imagem decrépita e doente, razões enevoadas pela pureza da humanidade como em suas diversas formas, e essa era uma delas, inútil, incompreendida, que faz com que meu coração, hoje, se corroa com a saudade da partida que ainda nem foi. Parte decomposta da vida em que brota o sentir despercebido de preocupações ou revisões – eramos assim e pronto – alma e coração, um punhado de história e poesia, como todos somos enquanto nossos corpos calcorrem em sua auto-putrefação sem ninguém perceber, exceto eu e você.
A vida nunca me pareceu ter maior sentido ao seu lado. Sem intenções, simplesmente aprendi a vê-la de outra forma e, sabemos, é tudo tão escuro quanto a noite sem estrelas – e continua sendo. Como dar o próximo passo sem você? É algo que eu preciso aprender. E quando for a hora de responder ao seu “vem comigo?”, será que deverei ir? Será que acontecerá?
Pouco mais de um ano, esse é o nosso tempo caminhante em velocidade constante, estivemos sempre juntos, mesmo longes, e nada de vozes ápodes, toques imaginários, desejos doces, sorrisos amarelos e nem mesmo um poema. E não falo de Ti, falo do nosso adeus. Por aqui, o que eu escrevo parece não acontecer e talvez essa seja uma tentativa de que nossa despedida não ocorra. Por que é tão difícil, meu fiel amigo?
As vezes, sinto apenas que preciso te esquecer e você a mim.
Mas não, simplesmente já não podemos mais.
E assim deverei ir, a morrer de saudades.

Liberdade? Liberty? Liberté?  

Hoje me dei conta de algo assustador e que nem ao menos nos damos conta de que ocorre.

Escrevi sem saber sobre o robotizar-se, a robotização do cotidiano e da esfera privada e até íntima da vida, mas parece que não há saída para isso. Lendo algumas reportagens sobre liberdade na internet, segurança virtual (que ainda é rudimentar para muitos casos), percebi a gravidade do fato de que podemos ser controlados por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, por nossos celulares, tablets, e até mesmo – pasmem – pelo nosso GPS. Mas até então, nenhuma grande novidade. Pois bem, eis que descobri que podemos, por consequência do uso desses aparelhos, pelo nosso perfil nas redes sociais, ter traçados nossas preferências como usuários, um grande histórico sobre nós mesmos e que nós nem ao menos temos ideia do que se trata e a que ou a quem o uso desse conteúdo é destinado. Será que nossa vida pode ser roubada? Não duvido. Somos robôs, que podem ser copiados, duplicados, triplicados, enfim! Muito cuidado! Ah! Outra coisa, o uso de GPS nos carros, pode deixar nossos veículos vulneráveis e fora de nosso controle, além de  também captarem as preferências dos motoristas. Isso ocorre, pois utilizam conexão via satélite para nos guiar. Imaginem só a catástrofe se um grupo de pessoas resolve criar um congestionamento ou guiar os carros para uma área de risco? É uma situação muito complicada, complexa e tensa, mas que agora pretendo saber mais sobre. Apesar de defender a ideia de não nos robotizarmos, estar alheio a esse processo nos torna reféns em uma armadilha que poderia ser evitada por nós mesmos e que precisa, desde já, de o mínimo de conscientização para que possamos nos proteger ou buscar soluções e melhorias, ou então, ter o mínimo de domínio sobre esses nossos históricos e perfis, para ao menos saber e controlar pra quê e para quem essas informações estão sendo utilizadas. E no Brasil, a discussão parece ainda não existir, pois temos uma mídia também interessada por essas informações. Por outro lado, essa quebra de privacidade e de liberdade, pode trazer segurança em casos extremos, cujas palavras não citarei aqui, mas até que ponto poderia ser aceitável? Defendemos uma democracia, mas eis um agravante, uma veia que está prestes a estourar, o tempo ruge, a tecnologia e o conhecimento da população sobre tais meios avança, e então, o que faremos? Até onde vai a nossa liberdade e a nossa sobrevivência? Será que deveríamos mentir sobre nós mesmos? Só sei que, em breve, teremos novas reflexões, mais textos e poesias!

Não sei nem por onde começar, acho que o desejo de quem escreve é ter bons leitores, de modo que recebam suas mensagens e que estas possam transformar vidas de maneira positiva, quem sabe possamos salvar um ao outro? Pois, creio que em tempos como este, o individualismo deve ser carta fora do baralho, somente com colaboração conseguiremos nos ajudar, e consciência sobre o que nos cerca, sobre todas as re-significações que a vida toma. Mas, cuidado, nesse vasto mundo virtual até mesmo a leitura deve ser cuidadosa – o lixo só aumenta.