01.2017 – Victor Hugo – 18+

 


Muitos amigos me pedem para publicar minhas pequenas histórias de terror que eu escrevia quando era mais novo, bem, elas tinham um teor bem sexual e eram bem zuadas e tosquinhas, mas, naquela época, todo mundo adolescente e tudo era polêmico. hahahaha Bem, mas aí vai uma pra inaugurar 2017 com contos de terror, mistério e de morte.


ATENÇÃO! O texto a seguir apresenta conteúdo com sexo, estupro e violência, impróprio para menores. Se você não atingiu ainda 18 anos, este tipo de material, apesar de se tratar de uma ficção, pode ofender você. NÃO PROSSIGA!


Victor Hugo

– Pai, o que tá acontecendo? Pai! Foram as últimas palavras de Tabata ao seu pai, assassinado em sua frente enquanto ainda bem nova.
Apesar dos anos de agressões sofridas de seu pai, Tabata ainda o amava como filha, mas nada mais poderia fazer. Tempos difíceis vieram após a dolorosa cena e, sozinha no mundo, fora adotada ilegalmente, porém, sem saber, por um daqueles assassinos. Tabata foi bem cuidada, nada lhe faltou, e quando completou a maioridade, sem opções, casou-se com seu cuidador. Entretanto, seu marido apenas queria alguém que pudesse cuidar dele em sua velhice. Em sua primeira noite após o casamento, ele diz:
– Agora você dorme comigo. Tira a roupa e se deita de quatro.
Indefesa e ignorante, Tabata atende ao pedido do homem, que chega perto dela com lambidas asquerosas, mas nenhum ato explicitamente sexual. Ele analisa sua vagina, a cheira, e nela coloca seus dedos.
– Você não é virgem, sua vagabunda! Como em todo esse tempo não percebi sua traição? Gritou o homem que, com uma surra, a empurrou na cama.
Então ele colocou seu pênis para fora de sua calça, segurou firme a garota para que não escapasse e dela abusou. Tabata manteve-se sem expressão. O homem goza e deita ao lado da garota.
– Tua vida tá fodida, vagabunda! Amanhã eu vou dar um jeito em você!
Tabata se vira e ambos dormem.
No dia seguinte, ao acordar, ela tinha apenas as malas prontas e um destino incerto pela frente. Seu marido a leva para uma fazenda próxima à cidade, onde uma velha e um primo ficariam e cuidariam da garota. A vida era calma, a velha senhora e seu filho não eram de todo mal. Tabata ajudava na casa e na pequena lavoura, sem saber até quando ficaria por lá. Seu marido nunca mais voltaria.
Poucos meses depois, Tabata sente enjoos e náuseas. A velha com quem vivia toma seu antigo colar de outro nas mãos e coloca o pingente sobre a mão da garota. Ele começa a girar lentamente, contornando a mão de Tabata, como se uma energia estranha estivesse presente.
– Você está grávida. Diz a senhora.
Tabata não fala nada. Apenas pesava em arcar com mais esse fardo como fez com todos os outros que havia passado.
– Não se preocupe, ele ajudará na fazenda. Também diz o primo presente naquele momento.
Tempo depois, Tabata dá a luz a Victor Hugo e cuida dele com carinho até sua adolescência. Tudo parecia bem, porém Victor Hugo se tornara um jovem problemático, expressando um ódio pela mãe que não possuía sentido.
Certa noite, houve-se um grito da velha senhora. Todos correm para o seu quarto, Victor Hugo estava ao lado da cama, sem expressão – a velha estava morta. Não havia sinal de violência, apenas uma morte natural.
– A culpa é sua! Retruca o garoto à sua mãe ao deixar o quarto.
Tabata manteve-se sem reação.
Enquanto o filho daquela velha senhora, chorando, cuidava de sua falecida mãe, Tabata observa a noite da janela, até que percebe  reflexo de um homem, perto da casa. Assustada, ela fala com seu primo e corre para fechar todas as portas e janelas. Todos ficam trancados dentro daquela grande casa velha. Pouco tempo depois, uma fina chuva se inicia e um frio úmido toma conta do ambiente. Tabata procura novamente o homem pela janela mas não o vê. Então, resolve cozinhar para sua família. De frente para uma janela, de repente, o rosto do homem aparece como uma assombração. Tabata grita. Era seu pai, morto há anos. Em seguida, ela desmaia.
Sem saber o tempo que havia passado após o seu desmaio e sem saber onde estava, Tabata acorda e se vê sangrando, presa à correntes com seu filho à sua frente.
– Por que me abandonaste? Ele pergunta.
Tabata não conseguia entender nada, estava muito enferma e não podia pensar em nada.
– Por que me abandonaste? Repetia o garoto cujos olhos estavam gélidos.
Ao sentir o podrido odor que saía de seus machucados grangenados, ela vomita e, devido à intensa febre e às fortes dores, sua únicas palavras eram: “Á gu gu a”. Atendendo aos pedidos da mãe, Victor jogava água e uma estranha sopa no chão para que sua mãe pudesse beber e sobreviver, porém feito uma cachorra, e repetia: “Por que me abandonaste?”
Tabata, já estava inconsciente quando uma forte luz branca toma conta do lugar. Quando desperta, a garota se via deitada com alguns vultos ao seu redor em um lugar imensamente iluminado. As vozes e os rostos lhe pareciam familiares, porém, novamente ela desmaia.
Semanas após a morte da velha senhora e o desaparecimento de Tabata e seu filho, o homem com quem viviam na fazenda a encontra jogada em sua lavoura, nua e cheia de feridas por todo o corpo. Porém ele a resgata, a coloca na cama de sua antiga mãe e toma conta dela até a garota melhorar. Já consciente, em um momento sozinha, Tabata começa a chorar, pois ao revisitar suas memórias, Victor Hugo nunca existiu. Victor Hugo sempre havia sido uma invenção de sua mente. Assim, ela começa a mostrar sinais de loucura, e sem saber a realidade de seus sentimentos, não come, defeca em suas próprias roupas e cama. O homem por quem era cuidada a abandona por estar desgastado com a situação, e ela se vê sem comida, sem higiene, sem nada.
Em poucos dias, surge uma imagem decrépita abandonada em uma cama de urina e fezes, era em que a loucura a havia transformado. Em seu leito de morte, Victor Hugo aparece e se coloca perto de sua cama. Tabata aparenta uma melhora, sabia que não estava mais louca, e tenta sair da cama para mudar sua situação. Porém, no primeiro passo, ela cai. Um homem a segura e a coloca novamente em sua cama, era seu falecido pai, que segurava um feto vivo. Ele então deixa o feto no colo de Tabata.
– Por que me abandonaste? Todos dizem à garota.
Tabata percebe que aquele feto era o que havia aborto quando pequena, após ter sido violentada por seu pai.
Ela olha o feto – uma gota de sangue cai.
Deitada, Tabata começa a sangrar pelos olhos, boca e nariz até a sua morte enquanto Victor Hugo chora por sua mãe desacordada na cozinha.

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Desencantamento processual do mundo

Quantos são os domingos em que tudo para?
Nenhum.
A vida é um processo automatizado:
Quando se para, se deixa de existir.

Substituíram o busto de um dos heróis da elite
Era uma catraca.
{{Uma afronta.}}

Foram tempos difíceis aos produtores de sonhos.
Fazer sonhar junto um sonho em que não é seu – que falácia.
Agora consumimos os sonhos.
Estamos mais egoístas.
O seu sonho já não é mais suficiente.

Trinta e um anos
Ninguém parece entender
Vinte e cinco anos
Ninguém entende.

Eles não falarão mais por nós.
Eles estão em Nova York,
Em turnê internacional.
Aos beijos, no cartaz do cinema,
Foram silenciados.

Esqueceram da dignidade da pessoa humana.
Do Leviatã, deus mortal.

O cartaz dizia: “Vem pra rua!”
Era a projeção das vozes do mundo,
Um susto a quem estava adormecido.
Ao menino de 2013 chamavam anarquista.

Encontrou os amigos.
Saiu às ruas sem sentido ou opinião.
Tirou algumas fotos e as postou nas redes sociais.
Fez sucesso entre as garotas.

Economizou 20, 40, 80 centavos todos os dias.
Em um ano foram quase 300 reais.
Ele trocou seu celular.
Em 2014 tirou novas fotos,
Todos estavam às ruas de novo.
Mas também estavam no Estádio
Orgulho nacional desfalecido por 7 contra 1.

Pobre menino descontente,
Entrou em 2015 com o mesmo celular.
Foram tempos difíceis na monarquia à republicana
O rei reinava, mas não governava.
Voltou às ruas com os amigos que lhe restaram.
Tirou novas fotos e as postou nas redes sociais.

Tinha um novo aplicativo no celular – era um açougue.
Nesse marketplace, a carne parecia nobre, com conteúdo.
Aquele menino, etiquetado anarquista,
Uma peça de carne humana comprada virtualmente
Foi também comprada por outra dessas peças.
Match – já não se é o que é por inteiro
– E ele consegue uma namorada.
Nada mudou.

Dois mil e dezesseis
A cultura entrou em gourmetização,
Mas é consumida em fast-foods.
Bellum omnia omnes
Estamos separados
E assim, incompletos.

O poeta pega uma arcaica maçã,
Um refrigerante popular
E mistura tudo em um moderno liquidificador.
Em pequenos goles, sem sentido,
Encerra a sua poesia.

O seu tempo está acabando

Seu chão foi despedaçado e ele está enterrado
Tudo o que vê são pedras flutuantes
E tudo o que passa em sua mente é um filme de terror
A pele amarelada esfarela
Ele é feito de areia, pó de estrelas
Que sangra
Ostra seca,
Conchas que se desgastam nas pedras
E se quebram.
Tudo está fragmentado até o mínimo pedaço de si mesmo
Onde se é eterno.
E nele não há fim.

Sometimes I wish to die

Quantas vezes eu consigo morrer
Pra apenas virar a página?
Há momentos em que somos enganados
Pelos nossos próprios eus
Confundindo nossas mentes
Quando não sabemos o que existe além do caminho.
O destino já tem todas as peças em suas posições.

Algumas vezes morri para aprender.
E novamente morri, por opção.
Quantas vezes eu consigo morrer
Pra apenas virar a página?
Mas tudo tem um propósito.
E acredito que esse propósito é positivo.
O destino já tem todas as peças em suas posições.

Morrer é a coisa mais fácil que tenho feito.
E assim vou me apagando das histórias.
Porque tudo é efêmero.
Mas as vezes morrer em ciclos é continuar.
Nós demandamos um caminho sempre contínuo.
Que bobagem!
Quantas reflexões existencialistas.
Pode ser que continuar
– seja lá o que se estiver fazendo –
Seja mais desafiador.
Prolongar o momento de morrer.
Assumir as mortes.
Não tenho uma opinião formada sobre.

FODA-SE.